No luto de um amigo – como podemos apoiar… e não atrapalhar

Nesta semana tivemos a imensa tristeza de receber a notícia da morte de um dos amigos da escola, desde o pré-escolar, de uma de minhas filhas. Um menino alegre, divertido e tão sensato e maduro para a idade dele.

Não consigo imaginar a dor dos pais dele. Só sei que poderia ser um dos meus filhos cuja história terminasse assim, abruptamente.

A dor indescritível, sem nome

Existem palavras para quem perde uma esposa ou um esposo: é viúvo ou viúva. Existe até uma palavra para quem perde mãe e pai: é órfão. Mas não existe uma palavra para quem perde um filho. É uma dor que não pode ser nomeada.

Enterrar um filho vai contra o ciclo natural da vida. Espera-se que os filhos enterrem os pais. Enterrar um filho é algo que foge completamente à nossa expectativa. Por isso, é um luto difícil, violento e traumático.

Talvez você conheça alguém que esteja passando por um luto. Você sente com a pessoa, mas não pode aliviar a sua dor. A dor que chega a ser física. Na sua angústia de poder fazer algo às vezes pode cometer um equívoco. Você quer ver a pessoa feliz e sua própria ansiedade acaba atrapalhando.

Eu confesso que estou com um receio tremendo em escrever este artigo. Minha intenção é de dar conselhos que possam ajudar você que quer apoiar alguém que perdeu uma pessoa querida. Mas é uma situação tremendamente difícil e na verdade acho que podemos fazer tão pouco.

Superando desafios na prática:

 

O luto tem uma função importante

Em primeiro lugar precisamos cuidar para não atrapalhar, não agravar a dor da pessoa enlutada. Para isso, é importante entender o que é o luto.

O luto é importante. Ele tem uma função. Não é algo indesejável de que a pessoa deva se livrar o quanto antes.

O luto tem a sua duração, mais breve ou mais longa, dependendo das circunstâncias da morte e o relacionamento entre o enlutado e a pessoa que faleceu. É muito comum que demore pelo menos um ano para os familiares e amigos próximos, passar pelo trabalho de luto mais intenso. Quando a morte não foi confirmada ou aconteceu de forma violenta e inesperada o luto provavelmente demorará muito mais.

Por favor, não procure apressar este processo. Não diga à pessoa que ela deveria “deixar a pessoa que se foi em paz e voltar a viver”. Não exija dela nenhuma atitude nem sentimento. O luto precisa correr a sua rota.

Valorizar as lembranças e memórias

Os trilhos pelas quais o luto passa são as lembranças da pessoa que se foi. A pessoa enlutada precisa poder falar sobre a pessoa de quem tem saudade. Lembrar-se de tudo que viveram juntos. É preciso fazer as pazes com os momentos difíceis e reviver e curtir as memórias alegres.

Se o seu relacionamento com a pessoa enlutada permite isso, você pode ouvi-la. Ouvir não é somente escutar o que a pessoa diz. Ouvir é dar espaço para os pensamentos e sentimentos dela. É ser testemunha da sua vida e perceber o que vai além das palavras. Com sua presença e a sua atenção em silêncio, você cria o espaço para a pessoa poder expressar o que se passa dentro dela.

A Bíblia nos encoraja a chorar com os que choram. Isto também faz parte. Empatia é colocar-se no lugar do outro, para perceber o mundo do seu ponto de vista. Podemos ter a tentação de fugir desta posição por causa da dor. Temos medo de sentir a dor, a aflição, o desespero que a pessoa sente.

Um pensamento, que me ajudou muitas vezes a ouvir e estar presente para pessoas em dor e luto, foi reconhecer que ela é quem está vivendo esta dor, este luto. Eu apenas estou sendo testemunha, honrando o seu momento de dor e de saudade.

Ajuda prática para os dias mais leves, e para outros mais pesados

No momento inicial:

Se você tem oportunidade de oferecer a sua ajuda no momento inicial, após o falecimento e tem um relacionamento próximo com a família, você pode ajudar a família a avisar os amigos e conhecidos, organizar o enterro e planejar eventuais cultos fúnebres. Você pode cuidar de atender o telefone, fazer uma lista de quem ligou para dar os seus pêsames ou quando há necessidade: ajudar a família a cuidar de crianças ou de pessoas idosas.

Algumas semanas depois:

Logo após a morte, a pessoa enlutada recebe muitas demonstrações de apoio das pessoas, mas com o passar das semanas estas demonstrações de carinho tendem a diminuir. Mas é neste momento, quando o vendaval de todos os cuidados e a organização do funeral e eventuais cultos subsidiem, que inicia o verdadeiro trabalho de luto.

Se você está próximo à pessoa, você pode estar presente e disponível para ouvir. Se o seu relacionamento é mais distante, um telefonema ou um cartão podem expressar que você continua pensando nela.

Vários meses ou até anos mais tarde:

Com o passar do tempo e do luto, chegam dias em que a dor não é mais tão imperativa. As lembranças, podem estar menos associadas à dor e a saudade mais suave e gentil. Mas em épocas festivas, nos aniversários de nascimento e de morte, os sentimentos novamente podem surgir como ondas tempestivas. Nestas datas talvez você queira demonstrar seu amor e apoio de alguma forma, por um abraço, a sua companhia tranquila ou por meio de uma mensagem.

Espero que estes pensamentos, possam te dar alguma ajuda ao procurar dar seu apoio, para um amigo ou uma amiga que perdeu uma pessoa querida. Para mim pessoalmente, este é um momento para refletir sobre a brevidade da vida, o quanto preciso ser grata pelas pessoas na minha vida e aproveitar os momentos que temos juntos para expressar o amor que sinto.

Acredito que Deus, que enviou o seu próprio filho para morrer em nosso lugar, é capaz de compreender a nossa dor e carregar quem está passando por um luto. Nele podemos encontrar esperança e consolo. Jesus disse:

“Eu sou a ressurreição e a vida.
Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá”
(Jesus) João 11.25

Um momento de silêncio para honrar o amigo da minha filha e para expressar meus sentimentos a todos que lutam para superar este momento de dor e intensa saudade.

 

 

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