7 perguntas para uma comunicação bem-sucedida

Quando eu tinha acabado de chegar ao Brasil e estava aprendendo a falar o português, percebi a existência de dois tipos de pessoas.

Algumas pessoas compreendiam que eu estava aprendendo e quando eu não entendia o que diziam eles mudavam a estratégia e usavam outras palavras para explicar a ideia.

Outras pessoas reagiam de forma bem diferente. Quando percebiam que eu não entendia, eles repetiam a mesma coisa aumentando o volume. Isso acontecia várias vezes, escalando cada vez mais o volume, até que estavam praticamente gritando. Quando isso não funcionava desistiam e iam dar atenção à outra coisa.

Eu ficava com a impressão que pensavam que meu problema era de audição ou que eu era uma pessoa, digamos, intelectualmente pouco dotada. 😉

Aposto que você já sabe qual destes tipos de pessoas que me ajudaram a aprender a língua.

Não basta repetir

O engraçado é que mesmo quando falamos a mesma língua que a outra pessoa isso pode acontecer. Falamos e falamos, mas a outra pessoa não compreende o que queremos dizer. O que fica óbvio é que não basta repetir a mesma coisa.

Precisamos estar sensíveis à outra pessoa para perceber o que ela está compreendendo. Comunicar-se não é somente expressar algo. A comunicação só é completa quando podemos constatar que a outra pessoa recebeu a mensagem que enviamos.

Confirma o recebimento?

É como quando enviamos um e-mail para alguém. Se recebemos de volta uma mensagem de erro dizendo que a mensagem não pôde ser entregue, nós entendemos que a comunicação não foi feita, mesmo que tenhamos escrito e enviado o e-mail.

A dificuldade com a comunicação falada é que quando a outra pessoa não compreende ou não consegue receber a mensagem, não recebemos uma mensagem de erro avisando. Ou será que não? Talvez a mensagem de erro exista, nós só não a percebemos? Vamos investigar isso mais a frente.

Estabelecendo as bases da comunicação bem-sucedida

A primeira premissa que precisamos aceitar é que comunicar-se não é a mesma coisa que dizer. Dizer, sem levar em consideração o que a pessoa que ouve recebe, é tão distante de comunicar quanto vomitar está distante de servir uma refeição. Me desculpe a imagem gráfica, mas o fato é que ambas as coisas contêm quase que os mesmos componentes, mas você há de concordar comigo que, o formato e a forma de entrega faz toda a diferença.

O bom senso

Quando planejamos e servimos uma refeição, levamos em consideração a ocasião, o horário no dia, a temperatura ou o clima da época, quantas horas se passaram da última refeição. Pensamos na pessoa, nos seus gostos e desgostos, sua idade e seu físico. Dificilmente você vai servir um cozido carregado e quente no café da manhã num dia de calor para uma criança com menos de um ano. Você também não serve papinha amassada num evento social para adultos. Temos a sensatez de adequar o que servimos à ocasião e às pessoas.

Vomitar por outro lado é algo que surge de forma impulsiva por causa de um mal-estar interno. Não o planejamos e o resultado não serve para ninguém.

Com a comunicação acontece a mesma coisa. Se você não planeja o momento, escolhe o que vai dizer e pondera com cuidado a forma de dizê-lo, levando em consideração a pessoa com a qual você estará falando, você estará, usando a mesma metáfora, vomitando.

Para evitar gafes na hora de nos comunicar, precisamos portanto perceber os sinais da outra pessoa e considerar a situação. Vejamos alguns aspectos disso.

Superando desafios na prática:

 

7 perguntas para uma comunicação bem-sucedida

1. Qual é o meu objetivo ou intenção com a conversa?

Se você quer que a sua comunicação seja bem-sucedida, tenha clareza a respeito do que você quer que seja o resultado da conversa antes de iniciá-la. Pode ser simplesmente informar. Pode ser garantir o apoio da pessoa para algo que é importante para você. Pode ser negociar pontos de vista conflitantes. Pode ser aumentar a intimidade e nutrir o relacionamento. Pode ser corrigir um comportamento.

O que quer que seja, não entre na conversa sem saber qual é o objetivo. A não ser que você esteja aí só para “jogar conversa fora”- o que também é um objetivo 🙂

“As palavras agradáveis são como um favo de mel, são doces para a alma
e trazem cura para os ossos.”
Provérbios 16.24

2. Qual é o meu relacionamento com esta pessoa?

Acabaram de se conhecer ou ela trocou as suas fraldas? Qual é a influência que cada um de vocês exercem na vida do outro? Estes e muitos outros fatores, que definem o seu relacionamento com a outra pessoa, devem influenciar a forma que você se comunica.

Você já ouviu a frase: “Você sabe com quem você está falando?”- é isso 🙂 , mas sem a arrogância de quem acha que deve escapar das regras por causa de alguma característica pessoal.

Você precisa perceber corretamente, a fase na qual está o seu relacionamento com a outra pessoa, para calibrar a sua fala de acordo. O erro clássico é querer discutir nome dos futuros filhos num primeiro encontro – e olha que eu já fui vítima desta insensibilidade e não é fácil…

“Até o insensato passará por sábio, se ficar quieto,
e se contiver a língua parecerá que tem discernimento.”
Provérbios 17.28

3. O assunto é interessante para ele/ela?

Por mais altruístas que sejamos, todos nós avaliamos a importância das coisas à partir do nosso próprio ponto de vista e à partir dos nossos interesses. A melhor forma de cativar o interesse da outra pessoa é apresentando a situação ou a questão deixando evidente de que forma esta questão se relaciona com os seus interesses.

Isto pressupõe que você conhece algo a respeito da pessoa. Logo, chegamos a conclusão que para comunicar-se bem com qualquer pessoa você precisa conhecê-la e compreender as suas preocupações e o que importa para ela.

 “Quem responde antes de ouvir
comete insensatez e passa vergonha.”
Provérbios 18.13

4. Como este momento ou esta situação impacta o que ele/ela pode ouvir?

Se você tem ou já teve filhos pequenos, você sabe o que acontece quando uma criança está cansada e com fome. Fica manhoso, dado a excessos temperamentais, difícil de convencer e não se impressiona com argumentos lógicos.

Nós adultos não somos tão diferentes assim. Quando estamos cansados, com fome, irritados, doentes ou com dor a nossa paciência para ouvir diminui e temos menos sensibilidade para ver o outro lado da questão.

Precisamos estar atentos para nosso estado físico e emocional e evitar as conversas importantes nestas horas. Podemos também observar a outra pessoa e perceber se esta é uma boa hora para uma conversa ou se será melhor esperar até após a próxima refeição. 🙂

“Quem é cuidadoso no que fala evita sofrimento.”

Provérbios 21.23

5. O que é comunicado sem palavras?

Muito do que acontece nos relacionamentos, não necessita de palavras para ser comunicado.

Num quadro de violência familiar, em geral, os primeiros atos violentos são muito sutis, frequentemente apenas expressões de desdém no rosto ou atitudes como olhares e tom de voz usado para ridicularizar o outro.

Numa interação mais respeitosa, muito também é dito sem palavras através do tom de voz, da postura corporal, dos olhos e expressões.

Na próxima vez que você estiver numa roda de amigos ou colegas, pare para perceber como as pessoas se posicionam, o tom de voz que é usado, os olhares, enfim, tudo além das palavras. Um bom comunicador aprende a compreender e perceber esta linguagem não verbal.

“Quem pisca os olhos planeja o mal; quem franze os lábios já o vai praticar.”
Provérbios 16.30

6. Estamos falando a mesma língua?

Você já percebeu quando alguém, para mostrar que se acha superior à outro, usa de palavras sofisticadas ou expressões técnicas? A nossa escolha de palavras e imagens na linguagem não serve apenas para comunicar algo, mas é também usado para demonstrar uma posição social.

Se a nossa intenção de fato é comunicar, precisamos estar atentos às palavras que usamos. Quando usamos palavras e expressões que são familiares as pessoas, elas vão sentir que as compreendemos.

Jesus é um bom exemplo disso. Ele usava imagens e histórias próximas do dia à dia das pessoas. Ele falava com pescadores sobre pesca, com agricultores sobre semeadura e colheita, com pastores de ovelhas sobre pastoreio e com pais sobre a relação entre pai e filho.

“Que outros façam elogios à você, não a sua própria boca; outras pessoas, não os seus próprios lábios.”
Provérbios 27.2

7. Como posso me assegurar de que a mensagem foi transmitida?

A única maneira de saber se foi entendido, é ouvindo a outra pessoa dizer o que compreendeu do que foi dito. Não basta enfeitar o final da frase com um habitual “entendeu?”, o que pode até soar arrogante, como se a outra parte tivesse dificuldades para entender as coisas.

Talvez algo como: ”Eu já falei bastante. Agora eu realmente gostaria de saber como você vê esta situação.” Ou: “Bom, este é o meu ponto de vista. O que você acha disso?”

“Os propósitos do coração do homem
são águas profundas,
mas quem tem discernimento
os traz à tona.
Provérbios 20.5

Comente abaixo: Qual destas perguntas você quer lembrar de se fazer antes de ter uma conversa importante? Que pergunta você gostaria de acrescentar à lista?

PS. Percebeu que todas as citações foram tiradas do livro de Provérbios?

Este livro tem muito a dizer sobre usar as palavras. Recomendo a leitura 🙂

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